Apesar de muitos acreditarem que ela é uma única uva, a Muscat é na verdade uma família de uvas – e uma das grandes!
A família Muscat conta com mais de 200 variedades Vitis viníferas dentro de seu clã. Entre elas, cepas brancas, que são a maioria, tintas e rosadas.
Além de constituírem uma família enorme, as uvas da Muscat são uma das mais antigas cultivadas pelo ser humano.
Saiba mais sobre essa família – literalmente – histórica!
Origem
Mesmo sendo uma variedade tão antiga, o local de origem das primeiras uvas Muscat não é preciso. Acredita-se que ela surgiu por volta do ano 800 a.C. na Grécia. Mas há quem diga que ela é nativa da região do Egito, surgindo entre os anos 3.000 e 1.000 a.C.
Foi entre os anos 27 a.C. e 395 d.C que a família de uvas dominou o Velho Mundo, durante a expansão do Império Romano. Desde então, tem se espalhado por diversas regiões vinícolas, graças a sua versatilidade e facilidade de adaptação a diferentes terroirs.
Atualmente, os Estados Unidos lideram a produção mundial, com 50%. Em segundo lugar, está a Itália, com 21%, seguida da Austrália, com 11%, e Espanha, com 4%.
Muscat, Moscatel ou Moscato?
Com uma história tão antiga, é de se esperar que a Muscat seja conhecida por outros nomes mundo afora. Mas isso acaba gerando muita confusão.
O termo Muscat se refere, principalmente, à família de uvas. Mas ele também é usado para se referir a duas variedades que fazem parte do grupo familiar: Muscat Blanc à Petits Grains (Moscato Bianco) e Muscat de Alexandria.
Já a palavra Moscatel, é o termo que portugueses e espanhóis usam para chamar a uva Muscat de Alexandria. Nos países ibéricos, a uva é geralmente utilizada na produção de vinhos doces, como o Jerez e o Moscatel de Setúbal.
Moscato é o nome utilizado na Itália para se referir à cepa Moscato Bianco, que deu nome aos famosos vinhos Moscato d’Asti, do Piemonte.
Os membros da família Muscat
Toda família grande tem seus destaques. Estas são as principais uvas da família Muscat:
Moscato Bianco:
É a variedade mais antiga e valorizada da família, sendo cultivada em vários países do Novo e Velho Mundo.
Com bagas pequenas e amareladas, ela dá vida a vinhos de diferentes estilos com um característico perfume floral de flor de laranjeira e madressilva.
Muscat de Alexandria:
Ela é fruto do cruzamento natural entre a Moscato Bianco e a Axina de Tres Bias, uma variedade tinta originária da Grécia.
Suas bagas são maiores e mais escuras, em comparação com a Moscato Bianco, além de ter um perfil aromático mais suave, com notas de frutas maduras e flores, como rosa e jasmim.
É muito utilizada na produção de vinhos doces e fortificados e é uma das poucas variedades que realmente tem o aroma de uvas frescas.
Muscat Ottonel:
Mais popular na Europa Central, sendo mais cultivada na Alsácia, Áustria, Hungria, Romênia e Bulgária.
É uma uva de maturação precoce e com as bagas mais claras de toda a família. Seus vinhos são delicados, com acidez moderada e menor intensidade aromática.
Muscat Hamburg:
Fruto de um cruzamento natural entre a Muscat de Alexandria e a tinta alemã Trollinger, ela também conhecida como Black Muscat.
Essa é uma das poucas uvas tintas da família e é mais encontrada como uva de mesa do que para a produção de vinho. Mas quando engarrafada, dá vida a rótulos leves e fáceis de beber.
Moscato Rosa:
Essa uva de cor avermelhada é pouco conhecida, mas de alta qualidade.
Ela é mais cultivada na região de Trentino-Alto Ádige, na Itália. Por lá, ela produz vinhos doces com aroma e sabores marcantes, com notas de frutas vermelhas e rosas.
Os vinhos Muscat
Apesar da família ter mais de 200 integrantes, os vinhos das uvas Muscat possuem características em comum.
Um aspecto marcante é o alto nível de açúcar residual, mesmo que o vinho seja mais seco. Também é esperado que os vinhos tenham corpo leve, pouca ou nenhuma presença de taninos, e teor alcoólico mais baixo.
Os sabores e aromas costumam ser de frutas cítricas, como limão e laranja, pera, pêssego e flores diversas, como flor de laranjeira, madressilva e rosa.
Já ficou claro que essa é uma família de uvas muito versátil. Isso se reflete nos estilos de vinhos produzidos, que podem variar de tranquilos a espumantes, de secos a doces.
Espumante e frisante
A família de uvas Muscat ficou famosa, principalmente, por causa de seus vinhos espumantes e frisantes.
A maioria dos vinhos rotulados como “Moscato” são desses estilos, como o clássico italiano Moscato d’Asti. Aqui no Brasil eles são mais conhecidos como Moscatel.
Os vinhos, geralmente, apresentam perfil extremamente aromático e com alto teor de açúcar, típicos das uvas pertencentes ao grupo familiar. Além de acidez vibrante e final limpo e mineral.
Tranquilo
Normalmente, as uvas mais utilizadas para esse estilo é a Moscato Bianco e a Muscat de Alexandria.
Os vinhos costumam ser secos ou ligeiramente doces. No paladar, são leves, frescos e secos, mas com aromas doces e frutados.
Fortificados
Esse é outro estilo em que a família Muscat se destaca, conseguindo criar vinhos ainda mais doces que os espumantes e frisantes.
Os mais conhecidos e apreciados são o Jerez do sul da Espanha, com sabores ricos de caramelo; e português Moscatel de Setúbal, feito com as raras uvas Moscatel Roxo.
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2 thoughts on “Muscat: mais que uma uva, uma família”