Sem dúvida, as Américas criam excelentes vinhos de variedades originárias da Europa, mas o potencial das populares uvas nativas da América do Norte merece reconhecimento.
Apesar de muitas destas espécies nativas desempenharem um papel importante no mundo do vinho, a sua maioria está extinta ou está seguindo o caminho da extinção em breve.
Devido a baixa demanda por estas variedades e ao pouco incentivo em preservá-las, elas são ignoradas pelos produtores sendo pouquíssimo cultivadas.
Mais da maioria dos vinhos consumidos atualmente são produzidos a partir da espécie Vitis vinifera. Mas as uvas norte-americanas fogem desse padrão genético.
Conheça algumas das principais – e ainda não extintas – uvas nativas da América do Norte:
Vitis aestivalis
A espécie Vitis aestivalis representa o potencial para vinhos finos das uvas nativas.
A variedade de Vitis aestivalis mais conhecida é a uva Norton, cultivada pela primeira vez em Richmond, no estado da Virgínia, nos Estados Unidos.
Essa uva de cor preta expressa as suas melhores características no terroir do Centro-Oeste estadunidense e é uma das uvas viníferas mais importantes do estado de Missouri.
Os varietais da Norton são descritos por enólogos como vinhos de alta acidez com taninos leves e grandes sabores frutados de cerejas pretas, chocolate e baunilha.
Vitis labrusca
A dona do mundialmente conhecido “sabor de uva”!
A espécie Vitis labrusca origina a casta tinta Concord, a uva que provamos em sucos de uva tinta e geleias de uvas. O sabor da Concord fresca remete ao que conhecemos como o “sabor de uva” e que associamos a doces de cor roxa.
Mesmo com sua grande importância como aromatizante, a variedade Concord é desprezada no mundo do vinho. Os poucos varietais da uva são doces e apresentam cor vermelha profunda, alta acidez e aromas de morango, ponche de frutas, violetas e almíscar.
As variedades da Vitis labrusca:
Antoinette – uva branca
Catawba – uva tinta
Cayuga – uva branca
Concord – uva tinta
Niagara – uva tinta
Vitis mustangensis
A espécie Vitis mustangensis é a mãe da uva nativa do Texas, a Mustang.
Essa variedade tinta não é muito fácil de comer: são cheias de sementes, amargas pela intensidade dos taninos e muito ácidas. Apesar dessas características, a uva só é desagradável ao paladar quando consumida fresca.
O vinho da Mustang é arrojado e com excelente potencial de guarda. Mesmo com evidências de vinhos Mustang sendo produzidos desde antes de 1860, atualmente apenas por vinicultores domésticos fazem vinhos da uva.
Vitis rupestris
A nativa norte-americana que deu origem a muitos híbridos franceses populares.
A espécie Vitis rupestris é nativa de uma região que abrange tanto os Estados Unidos quanto o Canadá.
Conhecida como “a uva da areia”, a Vitis rupestris cresce muito bem na areia e tem alta resistência a doenças. Por ser resistente, em meados de 1800, muitos botânicos franceses usaram a casta para criar variedades híbridas com as uvas locais.
Durante um período, essas novas variedades foram bastante populares na França. Porém, o sistema de denominação proibiu o uso de híbrido. Muitas espécies diferentes foram produzidas a partir da Vitis rupestris e algumas voltaram para sua terra natal.
Uvas híbridas francesas derivadas da Vitis rupestris:
Aurore – uva branca
Chancellor – uva tinta
De Chaunac – uva tinta
Vidal Blanc – uva branca
Vignoles – uva branca
Vitis rotundifolia
Vitis rotundifolia, a uva da saúde!
A variedade dessa espécie é a uva Muscadine, também chamada de Scuppernongs. Uma casta de bagos maiores que os normalmente vistos e que é muito rica em antioxidantes e ácido elágico. Por isso, a Muscadine é considerada a uva de combate à obesidade.
Os vinhos da Muscadine são naturalmente doces e são mais produzidos no Sul dos Estados Unidos, de onde é originária.
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