Em uma época e num setor exclusivamente dominados por homens, Dona Antónia Adelaide Ferreira se tornou uma das primeiras grandes empresárias do vinho em Portugal.
Apesar de sua história ser quase desconhecida e receber pouca atenção, Dona Antónia Adelaide Ferreira foi uma figura memorável no Alto Douro vinhateiro.
A história de Ferreirinha
Antónia Adelaide nasceu em 1811, em uma família abastada de viticultores e pequenos comerciantes de Vinho do Porto.
Em 1834, ela foi obrigada a se casar com o primo, António Bernardo II, que esbanjou grande parte da sua fortuna. Porém, em 1844, D. Antónia Adelaide Ferreira se viu viúva com apenas 33 anos e dois filhos.
Entrando no mundo dos vinhos
Dizem que foi a viuvez precoce que despertou a vocação de empresária de “Ferreirinha”, como era conhecida por todos.
Com coragem e independência de espírito, se desfez dos investimentos do falecido marido, alocou os recursos na produção e comercialização do vinho, e assumiu a liderança da Casa Ferreira, fundada pelo seu avô, Bernardo Ferreira.
Ferreirinha conseguiu gerir com sucesso os negócios da família, se tornando a mais destacada proprietária de terras do Vale do Douro. Fez grandes plantações de vinha, construiu armazéns, contratou colaboradores, comprou quintas importantes, como as de Aciprestes, Porto e Mileu. Mas também fundou as próprias, como a Quinta Vale do Meão.
Por volta de 1872, a filoxera chega à região do Douro. Mas Ferreirinha não se acomoda e vai à Inglaterra para procurar meios mais modernos e eficazes para combater a praga. A partir de então, ela adotou em todas as suas quintas processos mais sofisticados de produção do vinho e investiu em novas plantações. E em pouco tempo Dona Antónia Adelaide Ferreira já era proprietária do maior património agrícola do Douro.
Em 1896, perto de completar 84, Ferreirinha faleceu e deixou de herança, além uma grande fortuna, quase 30 quintas produtoras de vinhos.
Para honrar a memória dessa grande mulher no mundo do vinho, os seus herdeiros constituíram em 1898 a Companhia Agrícola e Comercial dos Vinhos do Porto, a “Casa Ferreirinha”. O objetivo do projeto era produzir, envelhecer e comercializar os vinhos das diferentes quintas da família.
Até hoje, a marca Ferreirinha é líder nos vinhos não fortificados do Douro.
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