Os incêndios florestais podem ser muito devastadores e afetam, não apenas a fauna, a flora e a comunidade local, mas também o cultivo das uvas e o próprio vinho.
Mesmo que o incêndio ocorra a quilômetros de distância dos vinhos, a fumaça é levada pelo vento e se torna a grande vilã das vinhas e da colheita. É a temida “mancha de fumaça”.
O Australian Wine Research Institute, após os incêndios florestais ocorridos em Canberra, em 2003, realizou uma pesquisa para descobrir se a fumaça afetou os vinhos e como os danos foram causados.
O estudo constatou que se o vinho afetado não for corrigido, a “mancha de fumaça” é capaz de adicionar dois compostos distintos ao vinho: guaiacol (comumente chamado de creosoto) e 4-metil guaiacol. Esses compostos aromáticos estão associados ao cheiro de fumaça e são bastante comuns, sendo encontrados em vinhos envelhecidos em carvalho.
Porém, a presença desses compostos se mostram em níveis diferentes quando há a intenção do viticultor em dar o sabor, e quando essa característica é dada ao vinho por causa de um incêndio florestal.
No lugar de sabores amadeirados e defumados, a “mancha de fumaça” dá aos vinhos um sabor abrasivo, amargo e carbonizado. Sendo que os incêndios florestais afetam principalmente o vinho branco.
De acordo com Sean P. Sullivan, fundador do Washington Wine Report, existem inúmeras variáveis envolvidas, como a proximidade do vinhedo com o fogo e a intensidade da fumaça.
Outra variável é em que estágio do ciclo de vida da uva ocorre a fumaça. “O período entre o veraison e a colheita é um dos períodos suscetíveis”, diz Sullivan. Sullivan também deixa claro que a exposição à fumaça não significa, obrigatoriamente, que o resultado final do vinho será prejudicado.
O Australian Wine Research Institute, criou algumas táticas práticas para lidar com frutas expostas à fumaça dos incêndios:
– Colha frutas manualmente para minimizar a quebra ou ruptura das cascas;
– Exclua o material da folha para limitar as características relacionadas à fumaça;
– Mantenha a integridade dos frutos da colheita, evitando maceração e contato com a pele;
– Mantenha as frutas frescas para extrair menos compostos relacionados à fumaça;
– Faça a prensa do cacho inteiro, para reduzir a extração de compostos derivados de fumaça.
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