Muito além da Transilvânia e do Conde Drácula. Conheça os vinhos da Romênia e a rica viticultura do país europeu.
Poucos sabem, e muito menos acreditam, mas a Romênia é um grande produtor de vinhos, o sexto maior produtor da bebida na União Europeia.
Apesar da falta de reconhecimento, o vinho está enraizado na cultura romena, como em quase todos os países da Península Balcânica. As primeiras vinhas foram plantadas nas margens do Mar Negro há cerca de três mil anos, se espalhando e prosperando na Transilvânia durante a Idade Média, com a chegada dos produtores saxões.
O consumo de vinho faz parte do dia a dia da população romena, sendo apenas 3% da produção nacional é exportada. Isso se deve a uma questão política, já que o país viveu um regime comunista até 1989, o que deu à Romênia uma reputação ruim no exterior. Com a queda do regime comunista e a entrada na União Europeia, em 2007, a viticultura passou a receber atenção e investimentos internacionais.
Atualmente, de acordo com a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), a Romênia produz cerca de 12 milhões de hectolitros anualmente. Mesmo com a alta produção, a área de cultivo de vinhos parece estar diminuindo. Em 2000, as videiras ocupavam cerca de 248 mil hectares no país. E hoje são apenas 182 mil hectares.
Os vinhos brancos sempre lideraram a produção romena e, aproximadamente, 65% do consumo interno é de vinhos brancos. Porém, essa liderança está em queda. Atualmente, os vinhos brancos representam 51% da produção nacional. Sendo que, em 2000, representava 63%. Esse é um reflexo da influência do mercado externo, que tem maior demanda para vinhos tintos.
Quanto às uvas mais cultivadas, o governo do país tem incentivado o resgate das variedades autóctones. Os clássicos vinhos da Romênia vêm das uvas Fetească Neagră, Fetească Albă, Fetească Regală e Tămâioasă Românească.
Mas as vinícolas do país também investem em castas internacionais. Entre as variedades preferidas dos produtores romenos estão a Merlot, Aligoté, Riesling, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Sauvignon Blanc e Chardonnay.
Regiões e classificações
As regiões produtoras da Romênia se dividem em sete grandes zonas: Moldávia, Transilvânia, Dobruja, Valáquia, Banat, Crișana e Marmácia. Com cerca de 50 apelações diferentes.
As classificações dos vinhos da Romênia seguem a legislação da União Europeia, que classifica os vinhos em três níveis: vinho de mesa, Indicação Geográfica (IG) e Denominação de Origem Controlada (DOC).
Vinhos de mesa
Acredita-se que, atualmente, os vinhos de mesa representam 75% da produção, que atende o mercado nacional. Mas os recentes investimentos externos têm elevado a qualidade da bebida. O que, consequentemente, levará a um crescimento dos vinhos de classificação IG e DOC.
Indicação Geográfica
Existem cinco principais indicações geográficas: Colinas da Dobruja, Montes da Muntênia, Montes da Oltênia, Terraços do Danúbio e Planalto da Transilvânia.
Denominação de Origem Controlada
Atualmente, há cerca de 32 Denominações de Origem Controlada no país. Mas uma pouca parcela é realmente expressiva. As mais importantes são: Dealu Mare, na Muntênia; Murfatlar, em Dobruja; Cotnari, na Moldávia; e Alba e Sebeş-Apold, na Transilvânia.
Os vinhos DOC romenos também são classificados de acordo com o nível de maturação das uvas e pela quantidade de açúcar na uva no momento da colheita. São três divisões: DOC-CMD, DOC-CT e DOC-CIB.
CMD (Culesi la Maturitate Deplină – Coletados na Maturidade Total): uvas colhidas na maturidade adequada, entre 187g/L e 220g/L de açúcar.
CT (Culesul Tarziu – Colheita Tardia): colheita tardia, com mínimo de 220 g/L de açúcar.
CIB (Culesi la Innobilarea Boabelor – Colhido Enobrecendo os Grãos): colheita tardia com botrytis.
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