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A Lei Seca dos Estados Unidos e a venda ilegal de vinhos

A única semelhança entre a Lei Seca dos Estados Unidos e a do Brasil é o nome.

Em janeiro de 1919, começou a chamada “Prohibition Era” (a era da proibição), após a validação da 18ª emenda da Constituição que proibia a manufatura, venda e transporte de “bebidas intoxicantes”. A emenda que levou ao surgimento da Lei Seca em 1920.

A lei surgiu pela pressão de conservadores que começaram a ver as bebidas alcoólicas como um problema, principalmente nas fábricas, já que os proprietários temiam que o consumo de álcool levasse a acidentes e queda de produtividade.

A Lei Seca dos Estados Unidos nunca proibiu o consumo, mas sim produção, distribuição e venda. Porém, a aplicação e fiscalização dessas proibições não foram eficazes, e os problemas surgiram.

Os bares clandestinos, conhecidos como speakeasies, se tornaram muito comuns. Assim como a produção de bebidas falsificadas e venda ilegais, que eram possibilitadas pela corrupção de policiais e políticos subornados.

Houve um aumento significativo nos índices de embriaguez e criminalidade, com gangues e mafiosos controlando o tráfico, a produção e o comércio ilegal de bebidas alcoólicas. O gangster mais famoso do mundo, o Al Capone, fez sua história no mercado ilegal da Lei Seca.

Além dos crimes, também houve um problema de saúde no país. Já que o consumo de bebidas falsificadas, mais fortes e de baixa qualidade, levou a milhares de mortes e a problemas como cegueira ou paralisia.

Os fatores negativos e os argumentos de que a legalização das bebidas geraria mais empregos, convenceram o Congresso a revogar a Lei Seca, em 1933, 13 anos após sua sanção.

Como nos Estados Unidos cada Estado, cidade e condado tem suas próprias leis, ainda há locais em que o comércio é proibido

E o vinho?

Apesar da lei, algumas mentes criativas deram um jeito de manter a taça de vinho cheia.

Antes da imposição da Lei Seca, donos de vinhedos já ganhavam dinheiro com a produção de pedaços de suco de uva desidratado que eram dissolvidos em água.

Com a proibição do uso de uvas para a produção de vinhos, esses “tijolos” de uva desidratada se tornaram populares por serem facilmente dissolvidos em água para fazer vinho ilegalmente

Esse “tijolo” foi um excelente produto na mão dos contrabandistas, já que não era possível provar que um vinho havia sido produzido a partir do “tijolo”.

A produção e a demanda pelos “tijolos” de uvas chegaram ao fim junto com a Lei Seca. Um desses “tijolos”, o Vino Sano, está em exibição em sua caixa original no Museu de História e Arte de Ontário.

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